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Milhões protestam na França contra cortes de pensões

Por Kumaran Ira e Alex Lantier
3 de novembro de 2010

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Milhões de trabalhadores e estudantes foram às ruas em toda a França, na quinta-feira, 28 de outubro, para protestar contra a aprovação final do projeto de "reforma" das pensões da Assembleia Nacional, do presidente Nicolas Sarkozy. A economia francesa foi ainda mais prejudicada pela escassez de gasolina devido aos piquetes em andamento nas refinarias e portos.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou que cerca de 2 milhões de pessoas participaram do dia de ação, ante 3,5 milhões que participaram na mobilização nacional anterior, realizada em 19 de outubro. O governo, que deu estimativas baixas dos dias de ação anteriores, disse que o comparecimento foi de 560.000 pessoas em comparação a 1,1 milhões em 19 de outubro.

A manifestação teve apoio popular massivo, com aprovação de 65% da população, de acordo com a mais recente pesquisa do Le Parisien. A aprovação do governo de Sarkozy, por outro lado, caiu nas últimas pesquisas para uma avaliação baixa recorde de 29%.

De acordo com numerosas declarações de funcionários do governo e da mídia que visa desencorajar a greve, o ministro do Trabalho Eric Woerth disse que o "abrandamento significativo da mobilização" significava que poderia haver "uma saída para a crise nos próximos dias ou semanas."

O protesto nacional de ontem foi o sétimo dia de ação nacional chamado pelos sindicatos contra o pacote de pensões de Sarkozy desde 07 de setembro. O projeto eleva a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62, e a idade para se aposentar com pensão completa de 65 para 67.

De acordo com os sindicatos, 170 mil protestaram em Paris, contra 330 mil em 19 de outubro. A participação foi igualmente mais baixa em outras cidades, incluindo Marselha (150.000), Lyon (32.000) e Toulouse (120.000). Apesar dos feriados da Semana de Todos os Santos, muitos estudantes se juntaram ao protesto, embora em número reduzido em relação aos dias de ação anteriores.

Tanto os trabalhadores do setor privado quanto do setor público pararam. As greves atingiram o transporte aéreo, com 50% dos voos cancelados no aeroporto de Paris Orly e 30% dos voos cancelados nos aeroportos metropolitanos restantes. O transporte público também foi afetado pela greve. Trabalhadores da companhia ferroviária nacional (SNCF) e do sistema ferroviário da região de Paris (RATP) pararam. De acordo com dados da empresa, quatro em cada dez trens regionais não entraram em atividade.

O sindicato CGT-Energy disse que trabalhadores em greve no monopólio de eletricidade da França - EDF - cortaram a produção de energia em cerca de 6.250 megawatts. Ele sugeriu que a greve iria continuar, afirmando: "Os dois terminais de metano em Fos ainda estão fora de operação ... Não há dúvida de que, independentemente da forma que eles escolham, os trabalhadores continuarão a se mobilizar contra o projeto de lei de pensões. Em muitos locais, os planos para continuar a ação já estão organizados".

Trabalhadores de quatro das doze refinarias do país continuam a bloquear as transferências de combustível, e cinco das seis refinarias da empresa de petróleo francesa Total permanecem em greve.

Em muitas refinarias que votaram para acabar com a greve, é impossível retomar a produção devido à continuação da greve nos terminais de petróleo localizados em grandes portos, como o de Fos-Lavera, perto de Marselha. O porto de Marselha informou que 79 navios estavam ancorados, incluindo 58 navios petroleiros sendo 38 com o petróleo bruto e 20 com produtos petrolíferos refinados.

Um em cada cinco postos de gasolina ainda enfrenta problemas de abastecimento. De acordo com o site Zagaz, que é amplamente utilizado para comparar os preços dos combustíveis online, "em 20% dos postos de gasolina ainda faltava um ou vários tipos de combustível na quinta-feira, comparado a 27% na tarde de quarta-feira".

O Le Parisien, comentou: "A situação na quinta-feira foi idêntica ao do dia anterior, atingindo terminais portuários e bloqueando a oferta de petróleo para a maioria das refinarias francesas. Foi o que aconteceu com os terminais de petróleo de Fos, Le Havre e Donges ".

Embora os trabalhadores de coleta de lixo nas cidades do sul, como Marselha, Nantes, Pau e Agen votaram pelo fim da greve, os coletores de lixo na região de Paris e Toulouse, ainda continuam. Cerca de 15% dos 7.000 catadores de lixo municipal, junto com trabalhadores de empresas privadas de lixo, estão em greve. Trabalhadores continuam o piquete, que começou em 19 de outubro, do centro de incineração de Ivry-sur-Seine, nos arredores de Paris.

Muitas reportagens falavam sobre as manifestações de um modo irritado, com manifestantes repudiando as reivindicações do governo que alega que o movimento de greve acabou e criticando os sindicatos por não organizar uma ação mais eficaz.

O Le Monde citou um psicólogo, Jean-Noël, em Paris, dizendo: "Há muita gente de todo o jeito, é bom e devemos continuar. O suposto colapso das manifestações é um monte de discursos que estão sendo repetidos pela mídia".

Segundo o jornal, vários trabalhadores teceram duras críticas aos sindicatos. Um funcionário do hospital disse: "Não houve vontade real de luta por parte dos dirigentes sindicais. Eles mesmos se deixam ser ultrapassados por sua base". Outro disse: os sindicatos "permitem que a ação coletiva prossiga, mas sem realmente apoiá-la".

O Le Monde preocupado com o que a estratégia da burocracia sindical poderia fazer para encerrar os protestos, escreveu: "Neste contexto, o que fazer? Continuar como se nada tivesse acontecido parece difícil, mas dessa maneira as coisas estão se exaurindo. Os dirigentes sindicais certamente devem saber que eles poderiam tomar uma pancada dos manifestantes mais motivados" .

Os protestos de ontem demonstram que uma grande parte da classe trabalhadora não aceita cortes, mesmo depois de terem sido votados em lei. A sua determinação para continuar a lutar duramente coloca a necessidade de uma nova liderança e de uma nova estratégia para levar a cabo uma luta política contra o governo Sarkozy.

As políticas propostas pelo World Socialist Web Site —organização de comitês de ação independentes dos sindicatos e preparação uma greve política de massas para derrubar o governo de Sarkozy e lutar por um governo operário—flui diretamente a partir da lógica da situação política.

Os sindicatos têm mostrado que são hostis à luta contra os cortes. Eles isolaram os grevistas, recusando-se a realizar greves de solidariedade para protestar contra a polícia que atacou trabalhadores do petróleo, e se recusaram a convocar uma greve geral.

Agora, eles estão limitando-se aos apelos feitos por Sarkozy para renegociar os cortes com eles. Tais apelos são cínicos e impotentes, visto que Sarkozy já obteve aprovação da lei, deixando claro que não vai negociar.

A CGT disse que o protesto de ontem foi um "caso excepcional na história social do nosso país," mesmo que não tenha ligado para revogar os cortes. Em vez disso, ela reiterou sua demanda por negociações: "O presidente da República deve, finalmente, ouvir a mensagem da grande maioria da população" e "abrir negociações reais com os sindicatos". O secretário da Confederação Democrática do Trabalho Francesa (CFDT), François Chérèque, disse que a lei não é "justa", acrescentando que "a grande maioria dos trabalhadores são contra esta lei, e nosso dever é continuar a dizê-lo". Ele então sugeriu o adiamento da oposição para um futuro indefinido, sugerindo que "após a promulgação desta lei", a "luta" pode tomar a forma de "discussão para 2013".

Essa "briga", na verdade, só levaria a mais ataques sociais aos trabalhadores. Chérèque está se referindo a uma disposição da lei de pensões atuais especificando que em 2013 haverá negociações entre os sindicatos e o governo, passando para um sistema de pensões "baseado em pontos". Isso permitiria que as autoridades mudassem, isto é, cortassem o pagamento da pensão com base em vários fatores, incluindo a expectativa de vida.

[traduzido por movimentonn.org]

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