EN INGLES
Visite el sitio inglés
actualizado a diario
pulsando:
www.wsws.org

Análisis Actuales
Sobre el WSWS
Sobre el CICI

 

WSWS : Portuguese

120 mil estudantes e professores protestam no Chile contra os ataques à educação pública

Por Luis Arce
12 de julho de 2011

Utilice esta versión para imprimir | Comunicar-se com o autor

Cerca de 120 mil estudantes, professores e membros de outros sindicatos saíram às ruas do Chile nesta quinta-feira, 30 de junho, para defender a educação pública e se opor à proliferação de escolas e universidades privadas com fins lucrativos.

A principal exigência dos estudantes é a revogação da Lei Orgânica Constitucional de Educação (LOCE), imposta durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Os estudantes afirmam que essa lei criou uma enorme lacuna quanto à qualidade do ensino entre escolas públicas e privadas.

Os manifestantes afirmam que os jovens mais pobres se concentram em escolas públicas, onde recebem uma educação de qualidade inferior. Os estudantes exigem que seja dado a todos os chilenos o direito ao ensino superior e que o governo forneça as bolsas de estudo necessárias.

De acordo com estimativas do jornal de Santiago La Tercera o custo para atender a essas demandas equivaleria a cerca de US$ 2 bilhões.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento do Chile no ensino público está abaixo da média mundial. O país ficou para trás, como resultado das privatizações e políticas de livre mercado instituídas sob a ditadura Pinochet.

Em 1973, o ano em que Pinochet tomou o poder, o orçamento de educação do país somava 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e a esmagadora maioria da educação era livre. Em 1990, no fim da ditadura, o orçamento da educação havia caído para 2,4% do PIB, e no orçamento de 2010 esse valor era de apenas 0,84%.

Hoje, 40% dos 3,5 milhões de estudantes do ensino médio do país frequentam escolas públicas. Cerca de 50% frequentam as escolas subsidiadas, em que o governo e os pais compartilham os custos. Os outros 10% estão em escolas privadas.

A privatização da educação, para torná-la uma fonte de lucro, é mais desenvolvida no ensino superior. Cerca de 80% dos milhões de estudantes universitários frequentam instituições privadas criadas sob a ditadura que começou em 1981.
As manifestações de 30 de junho foram organizadas principalmente pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e estavam entre as maiores demonstrações de massa nos últimos anos. Os jornais chilenos estimaram que 80 mil saíram às ruas em Santiago e 40 mil no resto do país.

Os estudantes lotaram a avenida central Bernardo O'Higgins em Santiago. A passeata passou pela parte de trás do Palácio do Governo La Moneda, onde os alunos foram recebidos por centenas de carabineros, policiais paramilitares, que guardavam o prédio. Os alunos cantaram, "A educação deve retornar ao poder do Estado e não dos municípios" e "Ponha um fim ao lucro."

Em alguns momentos, a polícia confrontou os estudantes, atacando-os com gás lacrimogêneo. Os manifestantes responderam jogando pedras, galhos e objetos de metal. A polícia prendeu 121 manifestantes em todo o país, incluindo 38 em Santiago, dos quais 24 eram menores de idade.

Enquanto o protesto até então tinha sido amplamente pacífico, alguns dos alunos demonstraram a sua frustração e raiva contra o governo atacando o Banco do Chile, Santander, uma filial da Claro, a empresa de telecomunicações, e outros.

A mídia também relatou uma tentativa fracassada de ocupar a embaixada brasileira, que está localizado na rua em frente a sede principal do Ministério da Educação.

A marcha de 30 de junho foi a maior dentre uma série de mobilizações estudantis contra o governo de direita do bilionário presidente do Chile, Sebastian Piñera e seu ministro da educação, Joaquin Lavín. O economista formado pela Universidade de Chicago e ex-apoiador de Pinochet, Lavín concorreu duas vezes como candidato presidencial da aliança de direita União Democrata Independente (UDI). Fundada em 1983 sob a ditadura, a UDI faz parte da Coalizão para a Mudança que governa com Piñera, e algumas das suas principais figuras assumiram cargos no governo.

No final do ano passado, mais de 20 mil pessoas juntaram-se a uma marcha convocada pela Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (ACES) e a Federação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (Femes). E em meados de maio, um protesto similar levou pelo menos 70 mil pessoas para as ruas. Desde então, várias escolas secundaristas da capital chilena foram ocupadas por seus alunos.

A participação na mobilização de 30 de junho não se restringiu apenas aos jovens diretamente afetados com o abandono da educação pública pelo governo. Eles receberam o apoio de grande parte dos estudantes universitários, bem como estudantes de escolas secundárias privadas que se juntaram à marcha que começou na Plaza Italia.

Um representante da Assembleia de Estudantes para as escolas particulares secundaristas, Benjamin Sotomayor, estudante da escola Sagrado Coração de Alameda, disse ao jornal La Tercera, "Se quisermos uma verdadeira mudança no sistema educativo chileno, é necessário que todos participem, incluindo as escolas privadas.".

De acordo com o líder estudantil, alunos de todas as 23 escolas privadas representadas pela assembleia se juntaram à marcha.

Em outro comunicado divulgado pela imprensa, o vice-presidente do Centro dos Estudantes, Sofía Duprié, disse: "Nós viemos para apoiar esse movimento porque não é verdade que os alunos de escolas particulares não estão interessados em qualidade e educação igualitária".

A marcha dos estudantes também ganhou o apoio dos pais, muitos dos quais haviam encorajado seus filhos em idade escolar a participar do protesto.

O presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, afirmou que a marcha "demonstra que este movimento pela educação pública é real. É necessário que ela seja levada em conta, porque se não, vamos manter a educação baseada na reprodução da desigualdade; não queremos mais educação de mercado".

Na semana passada, o ministro da Educação Lavín, enviou uma carta ao Confech contendo sete pontos que propunham melhorias econômicas. Os estudantes a rejeitaram e chamaram uma nova greve nacional. Eles insistiam que suas demandas estavam além de mais recursos financeiros e estavam voltadas para uma profunda reforma educacional em curso, envolvendo todos os elementos do sistema de ensino, incluindo o fim da privatização e educação igual para todos.

As demandas apresentadas pelos alunos incluem bolsas de estudo para os 60% mais pobres dos estudantes, a extensão do vale-transporte estudantil para 365 dias por ano, tirar as escolas do controle municipal e a aceleração da reconstrução e melhoria das escolas técnicas e profissionalizantes.

Professores e alunos das 25 principais universidades do país também disseram que as propostas do governo eram "insuficientes".

As lutas estudantis eclodiram dentro do contexto de uma deterioração acentuada da economia chilena. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a taxa oficial de desemprego subiu para 7,2% no último trimestre, em comparação a 7% no trimestre anterior.

Estes números indicam um fim para a tendência econômica de aumento do número de empregos que prevaleceu ao longo dos 12 meses anteriores, principalmente no comércio, indústria e construção.

A maior queda foi observada na agricultura, um dos setores mais importantes da economia chilena. A taxa de crescimento do emprego assalariado caiu 5,1%, enquanto a taxa de crescimento para a categoria de trabalhadores autônomos aumentou em 12,9%.

O agravamento das condições econômicas e sociais para os trabalhadores chilenos produziu uma drástica queda na popularidade do governo Piñera. Como resultado dos protestos estudantis, as classificações de aprovação do presidente caíram para 36%, em comparação com a alta de 63% depois que Piñera orquestrou uma enorme campanha de publicidade em torno do resgate no ano passado, dos 33 mineiros chilenos presos.

Depois da marcha em massa de 30 de junho, o ministro da educação, Joaquín Lavín, declarou: "Os problemas da educação no Chile vão além de uma pessoa. Eles se arrastam há muitos anos, e a solução não é apenas uma questão do ministro, é uma questão de todos nós juntos chegarmos a um acordo."

Esta declaração é uma acusação a todos os partidos da burguesia chilena, desde a UDI de Lavín na extrema direita com o governo Piñera, até o Partido Socialista, que com o apoio do Partido Comunista Chileno Stalinista na década de 1990 continuou as políticas da ditadura, incluindo a privatização e transformando as escolas secundárias e universidades em empresas com fins lucrativos.

Durante as manifestações de 30 de junho, cerca de 150 estudantes ocuparam a sede da UDI de Lavín. Os alunos também tentaram ocupar os escritórios do Partido Socialista (PS), mas foram impedidos de entrar e fizeram a manifestação do lado de fora. Os estudantes reconhecem que o governo do PS da coalizão Concertación, que governou o Chile entre 1990 e 2010, era tão responsável quanto a UDI pela destruição do ensino público.

Em maio de 2006, o Chile viu sua maior mobilização estudantil desde antes do golpe militar apoiado pelos EUA que levou Pinochet ao poder em 1973. Cerca de 600 mil alunos de escolas públicas e privadas declararam greve contra o governo do Partido Socialista da presidente Michelle Bachelet e realizaram marchas em todas as principais cidades do país, exigindo a revogação da lei de educação aprovada na ditadura.

Naquela época, como agora, o governo do Partido Socialista reagiu usando os carabineros para atacar os manifestantes. Durante os três dias de protestos, mais de mil estudantes foram presos e pelo menos 20 ficaram feridos.

(Traduzido por movimentonn.org)

Regresar a la parte superior de la página



Copyright 1998-2012
World Socialist Web Site
All rights reserved