Mobilizar a classe trabalhadora contra a conspiração de Trump! Preparar uma greve geral política!

14 Janeiro 2021

Publicado originalmente em 12 de janeiro de 2021

Quase uma semana após a insurreição fascista em Washington DC de 6 de janeiro, existem ameaças contínuas de violência de extrema-direita pelos Estados Unidos, centradas no Dia da Posse, em 20 de janeiro.

Em uma indicação de quão seriamente a ameaça está sendo levada no interior do Estado, o chefe do Departamento da Guarda Nacional anunciou na segunda-feira que entre 10.000 e 15.000 soldados serão mobilizados em Washington DC até este próximo fim de semana, antes da posse.

Um memorando interno do FBI divulgado ontem pelo ABC News alertou que estão sendo planejados protestos armados em todas as 50 capitais estaduais, além de Washington DC, organizados por grupos de extrema-direita. “O FBI recebeu informações sobre um grupo armado identificado que pretende viajar para Washington DC em 16 de janeiro”, diz o memorando. “Eles advertiram que se o Congresso tentar remover POTUS [Trump] através da 25ª Emenda, ocorrerá uma enorme revolta”.

Outro memorando do FBI, obtido pelo Yahoo News, indica planos específicos em Michigan, Minnesota e outros estados em 17 de janeiro. Em Michigan, os membros do movimento de extrema-direita “Boogaloo” estão discutindo “usar um dispositivo de gasolina com um fio de ignição” para “causar uma distração enquanto outros indivíduos ‘tomam’ a capital”. Michigan foi o centro de uma conspiração fascista para sequestrar e assassinar a governadora do estado revelada em outubro passado.

A classe trabalhadora, a juventude e todas as forças progressistas devem tomar essas ameaças com a máxima seriedade.

Manifestação em Pittsburgh contra a morte de George Floyd. (AP Photo/Gene J. Puskar)

A classe trabalhadora deve responder com uma greve geral contra as tentativas das multidões de ultra-direita, instigadas pelo criminoso político Donald Trump e seus cúmplices do Partido Republicano no Senado e na Câmara, de ameaçar a vida dos parlamentares eleitos e tomar edifícios governamentais e outros locais estratégicos, seja em Washington DC ou nas capitais estaduais de todo o país.

A ameaça de violência no Dia da Posse acontece em meio a evidências cada vez maiores do apoio do alto escalão do Partido Republicano e de setores críticos do aparato policial-militar na insurreição de 6 de janeiro. O cerco ao Capitólio dos Estados Unidos foi facilitado pela Polícia do Capitólio e por atrasos, sob a direção daqueles leais a Trump no Pentágono, no envio da Guarda Nacional.

O deputado do Partido Democrata Jason Crow, membro do Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Deputados, disse que conversou ao telefone com o Secretário do Exército dos EUA, Ryan McCarthy, no domingo. McCarthy informou Crow que “armas longas, coquetéis Molotov, explosivos e amarras de plástico foram recolhidos [após a invasão do Capitólio], o que sugere que um desastre maior foi evitado por pouco”.

Crow acrescentou que ele “manifestou sérias preocupações com relatos de que militares da ativa e da reserva estavam envolvidos na insurreição”, e pediu que “as tropas mobilizadas para a posse... não sejam solidárias com terroristas domésticos”.

As alegações de diversas tendências de pseudoesquerda de que a gravidade dos acontecimentos em Washington não deve ser exagerada, de que é um erro referir-se a um golpe, são perigosamente complacentes. A revista Jacobin, afiliada aos Socialistas Democráticos dos EUA (DSA), se colocou contra “as postagens nas redes sociais e as revistas liberais [que] caracterizaram imediatamente o tumulto como um golpe”.

O perigo da violência fascista, afirma a Jacobin, é mínimo porque a classe dominante apoia a democracia. Segundo a revista, “A tomada do Capitólio revelou a falta de apoio, tanto entre as elites empresariais quanto dentro das instituições do Estado, ao autoritarismo de extrema-direita. O capital, ao que parece, ainda está comprometido com a democracia liberal, que tem servido para salvaguardar seus interesses ao longo da história americana.”

Tais comentários unem a estupidez política à total complacência que caracteriza as camadas privilegiadas da classe média-alta por quem a Jacobin fala. As ações autoritárias de Trump, segundo a Jacobin, estão desligadas dos interesses de classe da oligarquia dominante e da enorme desigualdade social que tem corroído a base objetiva da democracia. As pressões decorrentes da polarização social fizeram a pandemia explodir, com mais de 385.000 mortes nos Estados Unidos.

Outro aspecto da complacente minimização da crise política e dos perigos colocados pela tentativa de golpe de Trump foi a resposta à suspensão da conta de Trump no Twitter durante o fim de semana. Ver essa ação, nas circunstâncias atuais, como a principal ameaça aos direitos democráticos expressa uma completa subestimação do que está ocorrendo agora.

Trump não é meramente um indivíduo, muito menos o representante de um movimento dissidente progressista e de esquerda. Ele é o comandante-em-chefe das forças armadas dos Estados Unidos, com poder impressionante à sua disposição – incluindo o poder de lançar uma guerra nuclear – enquanto for presidente. Insistir que ele tenha livre acesso ao Twitter e às redes sociais – para que ele possa mobilizar e incitar seus seguidores fascistas em todo o país – como se isso fosse uma questão crítica de liberdade de expressão é politicamente irresponsável, se não insano. E se é inadmissível suspender sua conta no Twitter, deve ser duplamente inadmissível exigir sua remoção imediata da Casa Branca e sua prisão! Os cínicos politicamente falidos da pseudoesquerda deveriam estar menos preocupados com os direitos de Trump e mais preocupados com a defesa dos direitos democráticos da classe trabalhadora.

É sem dúvida verdade que a administração Biden será um governo de direita de Wall Street, das agências de inteligência e dos militares. Mas a tarefa de combater um governo burguês reacionário é responsabilidade da classe trabalhadora, e não de um ditador de direita que mobiliza forças fascistas.

A classe trabalhadora deve intervir na crise de forma independente, travando uma luta contra o fascismo através de seus próprios métodos e com seu próprio programa.

É impossível confiar em qualquer setor da classe dominante para defender os direitos democráticos. Os opositores de Trump dentro da classe dominante estão bem cientes de que o incitamento de Trump à violência fascista corre o risco de desencadear uma guerra civil. Entretanto, eles estão muito mais preocupados em suprimir a oposição a Trump que ameaça se tornar exatamente o que mais temem: um movimento da classe trabalhadora contra o capitalismo.

É por essa razão que os democratas estão procurando colocar em quarentena a questão do papel de Trump ao incitar o golpe fascista a partir do contexto político mais amplo. Em particular, Biden, como líder do Partido Democrata, está fazendo tudo o que pode para defender a instituição do Partido Republicano, cujos líderes deram ao complô sua necessária cobertura política, legitimando as alegações de Trump de que a eleição foi roubada.

Em suas únicas declarações públicas desde o golpe, Biden disse em uma coletiva de imprensa na sexta-feira que estava comprometido com um Partido Republicano “forte”. Ele elogiou o líder da maioria republicana do Senado Mitch McConnell, dizendo estar “tão orgulhoso” das declarações de McConnell na tarde do golpe quando solicitou que o Congresso reconhecesse a vitória de Biden.

A ação dos democratas para aprovar as denúncias de impeachment na Câmara dos Deputados, o que poderia acontecer já na quarta-feira, faz parte desse esforço. As denúncias estão sendo apresentadas com todos os tipos de ressalvas para garantir que o impeachment não tenha efeito prático. Os principais democratas, liderados pelo estreito aliado de Biden, o Deputado James Clyburn, estão pedindo que a Câmara espere vários meses antes de enviar qualquer denúncia de impeachment ao Senado, o que significa que não teriam impacto nos dias restantes do mandato de Trump.

Se a Câmara enviar as denúncias imediatamente ao Senado, McConnell, o capanga de Trump que foi elogiado por Biden, disse que não serão votadas até pelo menos 19 de janeiro, um dia antes da posse.

Além disso, por mais significativo que seja o papel pessoal de Trump, ele faz parte de uma conspiração política muito mais ampla, envolvendo autoridades nacionais e locais em todo o Partido Republicano e elementos dentro do aparato militar e policial. Biden rejeitou especificamente os pedidos de renúncia até mesmo dos senadores Ted Cruz e Josh Hawley, e muito menos a prisão imediata deles por cumplicidade política com o golpe de Trump. E não houve pedidos para a prisão imediata de Rudolph Giuliani, dos filhos de Trump e dos advogados de Trump, ou de qualquer um dos envolvidos diretamente no incitamento

O golpe fascista de 6 de janeiro marca uma nova etapa na crise da democracia americana, e é preciso tirar as lições necessárias. Essa crise é uma expressão de um amplo colapso da sociedade capitalista americana. Não é possível combater a ameaça do fascismo sem reconhecer que se trata de um movimento social que surge com base em uma profunda crise da ordem econômica existente. Por meio do fascismo, as elites dominantes procuram canalizar o enorme descontentamento social para um movimento reacionário dirigido contra a classe trabalhadora.

O antídoto político contra o fascismo é o desenvolvimento de um movimento político de massas da classe trabalhadora pelo socialismo. Além disso, na medida em que a classe trabalhadora se apresentar para esta luta, será imensamente fortalecida na luta contra o Partido Democrata e a administração Biden.

O Partido Socialista pela Igualdade faz um chamado aos trabalhadores para que respondam à violência fascista em torno do dia 20 de janeiro com a preparação para uma greve geral. Uma rede de comitês de base nas fábricas e locais de trabalho, e em cada bairro e cidade, deve ser desenvolvida para mobilizar e unificar todos os setores da classe trabalhadora.

Os trabalhadores devem rejeitar todos os esforços para injetar na situação política conflitos e divisões raciais, incluindo as alegações dos Democratas de que o golpe fascista é uma expressão da “branquitude”, e não dos interesses da oligarquia financeira. Essa narrativa fornece apenas munições políticas para os próprios fascistas. Em todo o país, trabalhadores de todas as raças e etnias trabalham lado a lado. Eles enfrentam a mesma crise social e econômica e possuem os mesmos inimigos na elite dominante capitalista.

A enorme oposição popular contra os esforços da classe dominante para destruir os direitos democráticos deve estar ligada à demanda por uma investigação completa, aberta e pública sobre o golpe de 6 de janeiro. Todos os envolvidos na organização da operação e em sua cobertura política devem ser afastados do cargo, presos e processados.

Mesmo que Biden – protegido por milhares de soldados armados e pela polícia – faça o juramento de posse em 20 de janeiro e chegue à Casa Branca, a crise não terá passado. A democracia americana está em sua agonia mortal.

A única maneira de sair desta crise é através da construção de um poderoso movimento de massas da classe trabalhadora, aliado à classe trabalhadora de todo o mundo, pelo socialismo.

Todos aqueles que agora reconhecem a urgência de construir este movimento devem se juntar ao Partido Socialista pela Igualdade.

Declaração do Partido Socialista pela Igualdade

 

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